03 de Junho de 2010


Entrevista a Maria Alberta Meneres

Por Catarina Pires.

Com os seus quase 80 anos, que serviram de pretexto para a Leya fazer de 2010 o ano Maria Alberta Menéres, a escritora de gargalhada sempre pronta e um brilho traquinas no olhar conversa a meias com a filha, Eugénia Melo e Castro, sobre o seu último livro – Camões, o Super-Herói da Língua Portuguesa –, sobre literatura e principalmente sobre a melhor infância do mundo, a sua, passada entre Vila Nova de Gaia e o Ribatejo. Lá, na infância, teve o maior prazer em ser má, péssima, terrível. E passa a vida a voltar lá para escrever as dezenas de livros que publicou para crianças. Começou pela poesia, foi professora de Português, dirigiu o departamento de programação infantil da RTP entre 1974 e 1986, foi responsável pela linha «Recados das Crianças» da Provedoria da Justiça, na época de Menéres Pimentel, seu primo. Nunca parou, de norte a sul do país, visitando escolas e desenvolvendo projectos com os miúdos. Está sempre a inventar, mas é à noite, madrugada dentro, que é como que possuída pela escrita e dá forma às suas histórias num processo de tal forma natural que já lhe aconteceu esquecer-se de que tinha escrito um livro inteiro. Camões, o Super-Herói da Língua Portuguesa, por exemplo, esteve um ano esquecido na gaveta mágica da escritora. Até que saiu.

Como é que recebeu a notícia de que a Leya ia fazer de 2010 o ano Maria Alberta Menéres?
Maria Alberta Menéres (M.A.M.) –
Nem queria acreditar. Não tenho jeito nenhum para estas coisas. O que vale é que a Geninha me ajuda, vai comigo para todo o lado, porque eu já não posso guiar. E guia tão bem, tão bem!
Eugénia Melo e Castro (E.M.C.) – Agora sou motorista, parei tudo, fiz um intervalo na minha carreira, para vir dar este apoio à minha mãe. Achei que era importante estar aqui porque a minha irmã trabalha de manhã à noite e não tem possibilidade nenhuma de a acompanhar. Como sou aquela que aparentemente não faz nada, porque é artista, achei que estava na hora de vir. A minha mãe já não pode guiar, até porque andava a 180 e passava quarenta vermelhos.
M.A.M. – [Ri] Eu e o carro sempre fomos uma pessoa só. Era eu de rodinhas, adorava guiar, tão depressa estava no Algarve como em Trás-os-Montes.

Porque é que escolheu Luís de Camões como o super-herói da língua portuguesa?
M.A.M. – Porque gosto muito dele. A sua poesia encanta-me. E é importantíssimo para todos nós, portugueses. Além disso, era um aventureiro. Teve uma vida que não foi feliz, mas foi muitíssimo cheia e complicada. Sofreu muito e apesar do grande poeta que foi morreu na miséria, chegou a não se saber onde estava enterrado.

Diz-se que Camões tinha muito mau génio e a Maria Alberta quando era pequena também era muito mazinha, segundo ouvi dizer. De alguma forma identificou-se com o mau génio dele?
M.A.M. – Não, coitadinho, ele não tinha mau génio. Irreverência talvez, e ousadia também. Naquele tempo perseguiam-no muito ? as pessoas perseguiam-se umas às outras, não é? ? porque era tão bom que era perigoso e havia muita inveja em relação a ele.
E.M.C. – Mas a pergunta era se a mãe se identificava com ele. Ele era irreverente, irrequieto, desobediente, curioso, estudioso, tudo coisas que a mãe é!
M.A.M. – [Ri] Pois, ele era muito engraçado. Uma vez, quando estava em Goa, quis dar um jantar, mas como não tinha dinheiro, fez poemas para cada um dos convidados, em substituição do prato de comida. Tinha estas coisas. Chamei-lhe super-herói da língua portuguesa porque ele era realmente extraordinário, metia-se em aventuras, fazia coisas que eram verdadeiras proezas.

Há outros super-heróis, ou só heróis, da língua portuguesa?
M.A.M. – Não estou a ver, assim deste género, verdadeiramente herói de capa e espada, não há outro. Camões foi o que mais sofreu e o que mais energia tinha, uma energia poética.
E.M.C. – É o mais emblemático e é aquele com quem os miúdos mais podem identificar-se, porque essa irreverência os aproxima dele. Assim ficam a saber que o senhor que escreveu Os Lusíadas, que é um livro muito difícil, não é um chato. Se Camões vivesse hoje seria alguém com quem os miúdos iriam identificar-se, pela sua irreverência, pela sua genialidade, pelas suas ideias avançadas, pela sua vida aventurosa.

Diz que o poeta se faz aos 10 anos. Camões terá começado um pouco mais tarde. E a Maria Alberta começou quando e porquê?
M.A.M. – Com 9 anos comecei a escrever as primeiras poesias, uns horrores, claro [ri]!
E.M.C. – Não eram nada uns horrores.
M.A.M. – Estava no campo, sabe, vivia no Ribatejo e olhava para as coisas e tirava uma ideia daqui, uma ideia dali, de uma árvore, de uma flor, de um bicho, tudo me fazia escrever.
E.M.C. – Mas isso a mãe manteve toda a vida. Todos os livros da minha mãe partem de coisas que imaginava, que vivia. O Ouriço-Cacheiro Espreitou Três Vezes vem de um ouriço que ela conheceu.
M.A.M. – E o Pirilampo Mágico também fui eu que inventei. Estava no Alentejo e ligaram-me a dizer que precisavam de um bichinho que fosse fácil e barato de reproduzir para uma campanha de solidariedade. E eu estava debaixo de um chorão cheio de luzinhas, que eram pirilampos, e digo: um pirilampo, e do lado de lá do telefone diz o José Manuel: mágico. E ficou pirilampo mágico. E depois durante anos fui que fiz as letras para as canções da campanha.

O que é que a motivou para a escrita?
M.A.M. – Eu gostava muito de ler e em Vila Nova de Gaia, onde nasci e vivi até aos 7 anos, não fui à escola, iam umas professoras lá a casa, mas eu estava sempre a fugir por baixo das cadeiras. De maneira que foi o avô Menéres que me ensinou a escrever. E eu gostava muito de aprender palavras difíceis.
E.M.C. – O avô adorava-a. Era a única neta diferente, a que dava respostas, a que tinha graça.
M.A.M. – Mas também era a única que apanhava um carvão no Natal. Éramos 14 netos e eu recebia sempre um carvão grande porque de todos era a que me tinha portado pior. O tamanho do carvão era determinado pela maldade e como eu era muito má o carvão ia sendo cada vez maior [ri]. E eu ficava danada e dizia assim: que injustiça, o menino Jesus não sabe, não vê bem. Era um sofrimento todos os natais, pensava: estará lá o carvão? E estava, cada vez maior. Mas eu era uma coisa incrível, era diabólica. Um dia ia a correr, a correr, e vinha uma criada com um grande alguidar de água a ferver e eu agarrei-me a ela e a água toda a escaldar passou-me por cima, sem me acertar.

Tinha, portanto, um pacto com o diabo?
M.A.M. – Era muito má, queria era meter sustos a toda a gente. E como era muito mexida, chegava a ser perigosa, abria as portas às galinhas para que saíssem e fizessem a bulha toda que quisessem no quintal, umas coisas horrorosas, palavra de honra.
E.M.C. – Mas era a preferida do avô, que ele levava sempre para a câmara [o avô era presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia].
Esse avô era o que guardava os seus poemas com a classificação de avô satisfeito e avô continua satisfeito?
M.A.M. – Era, era. Ainda tenho um livrinho encadernado por ele com os meus versos, que eu lhe ia dando e que ele guardava com muito cuidado. Era muito querido, o meu avô.

Gostava de aprender palavras difíceis. Por isso é que andava com o dicionário debaixo do braço?
M.A.M. – Era o meu livro preferido. Eu achava que se soubesse aquilo tudo podia escrever, podia ser escritora. Não era por ser estudiosa, era porque queria conhecer as palavras todas.

Essa preocupação com as palavras levou-a na sua escrita a preocupar-se mais com a forma do que com o conteúdo?
M.A.M. – Às vezes o enredo é o menos importante, escrevo o meu melhor quando escrevo para as crianças, mas sinceramente é o que me vem à cabeça, as coisas aparecem-me, não ando à procura.
Com 7 anos foi viver para o Ribatejo, perto do Couço, e mais tarde entrou para o colégio interno. Nessa altura, as suas partidas tornaram-se lendárias. É verdade que comeu uma barata?
M.A.M. – É, é. Ai que horror [ri]. Estava eu a tomar o pequeno-almoço num dia em que foi lá ao colégio o arcebispo de Mitilene, que era muito importante, e de repente cai uma baratinha no meu prato. Tudo aos gritos «Ai uma barata, ai uma barata» e eu «Ai, tão boa» e engoli a barata inteira. Lembro-me tão bem. Não senti nada, só adorei ver a cara aflita daquela gente toda. Fiquei tão contente que nem senti a barata. E depois houve uma altura em que inventei que voava, sabe?

Não. Inventou que voava?
M.A.M. – Pois. Eu era muito boa em ginástica, era óptima, corria que me fartava, ninguém me apanhava, e então dizia que voava, mas só às quintas-feiras, às cinco da tarde. E às quintas-feiras, às cinco, desaparecia sempre. Só que houve um dia em que não me lembrei de me esconder e toda a gente nas Doroteias começou a gritar: «Alberta voa», «Alberta voa», centenas. Não podia fugir, por isso subi ao espaldar e de lá de cima voei. Cá em baixo tudo aos gritos: ela voou, ela voou. Quando aterrei, tinha partido um pé! Imagine o que foi que, quando estava para casar com o pai da Eugénia, ele ia no comboio para a Covilhã, encontrou umas amigas e disse-lhes que ia casar e elas: com quem? E ele: com a Maria Alberta. E elas: a Alberta que voa? [Ri]

E os seus pais como é que reagiam a essas traquinices todas? Tem dito que o seu pai era muito autoritário. Era assim ou no fundo achava graça às suas partidas?
M.A.M. – Era autoritário, mas era muito querido. O meu pai era muito parecido comigo, também tinha sido muito mau. Era muito aventureiro. Não queria estudar e perdeu o ano e um dia meteu-se num navio para África e foi parar muito longe, muito longe e ninguém sabia dele em Vila Nova de Gaia. Eu tentei saber o que é que tinha acontecido, para escrever, mas ele nunca me contou. Depois lá descobriram quem ele era e mandaram-no para cá e o meu avô foi lá buscá-lo. Mas era muito engraçado, o meu pai.
E.M.C. – Houve sempre um grande fascínio de parte a parte. O meu avô Alberto teve três filhas e esteve sempre à espera do rapaz, que não veio. Mas a minha mãe era especial, foi a única que estudou, a única que foi para a faculdade, a única que quis trabalhar, fez uma vida fora dos cânones da família. Não há dúvida de que era uma pessoa diferente, desde sempre, desde miúda.

E as suas irmãs como é que reagiam à sua malvadez?
M.A.M. – Não ligavam muito, eram muito sossegadinhas e eu era péssima, por isso fugiam.
E.M.C. – Uma das maldades que ela fazia era não deixar ninguém dormir. Elas dormiam todas no mesmo quarto e a minha mãe dizia que não dormia enquanto os santinhos todos não rissem para ela.
M.A.M. – [Ri] Havia uma prateleira cheia de santos e eu embirrava que só dormia quando todos se rissem para mim e as minhas irmãs suplicavam: deita-te, por favor. Zangavam-se imenso, mas só quando eu sentia os meus pais chegarem à noite do seu passeio é que me deitava a dormir. Um dia não aguentaram mais e eu passei para o quarto ao lado. Tive de ser transferida.
E.M.C. – Ela era a mais velha e as pobres coitadas das minhas tias andaram a vida inteira a reboque das maluquices dela.

Em A Chave Verde ou os Meus Irmãos fala da experiência de ser filha única. Alguma vez se sentiu como tal, apesar de ter duas irmãs?
M.A.M. –
Não, não, eu era muito independente e muito atrevida, mas não me sentia nada filha única, só queria era que me deixassem fazer o que eu queria, que era pregar partidas e sustos. O que eu adorava era ver todos aflitos. Perdia-me de propósito para toda a gente ir atrás de mim. Escondia-me. E quanto mais perguntavam, mais eu me escondia. E ria! Mas depois quando via as pessoas aflitas lá aparecia. Mas onde eu estivesse havia bulha.
E.M.C. – Sentia-se filha única, claro. Sempre sentiu.

E quando é que se corrigiu?
E.M.C. – Nunca.
M.A.M. – Pois, mas já não faço essas coisas.
E.M.C. – O que é que a mãe não faz?
M.A.M. – Mau! Não prego partidas!
E.M.C. – Até há pouco tempo fugia de casa. Nós já não a deixávamos sair sozinha de carro e ela saía. Dizia que ia só ali e de repente telefonava de Trás-os-Montes, a dizer que tinha chegado bem, que estava tudo bem, e no dia seguinte ia para Viseu e depois para o Algarve e foram anos e anos nisto. De carro, sozinha, sem GPS, sem telemóvel, o médico proibia, toda a gente proibia, porque era perigoso, mas lá ia ela.
M.A.M. – Isso é verdade.
E.M.C. – Completamente indomável. Nunca entrou numa cozinha, não sabe cozinhar. Era a mãe mais divertida, mais amiga, mais camarada, mais compreensiva, mas era a pior dona de casa que existia, nunca na vida teve o menor jeito para o serviço da casa. Nem para dar ordens às empregadas. Era a negação absoluta para as coisas do dia-a-dia. O mundo dela é outro mundo, as realidades dela são outras. Vive para as histórias que vê e vive e inventa, mas que para ela são absolutamente verdade. Ela é a imaginação absoluta.

Não se imagina a fazer outra coisa senão escrever?
M.A.M. – Não, escrever é o que eu gosto de fazer.

É mais fácil para si falar com as crianças do que com os adultos?
M.A.M. – Sim, sempre foi. Gosto muito de falar com as crianças e é sempre uma risota porque sou como elas. Pensava no que lhes ia fazer sentir medo, no que lhes ia causar surpresa, no que ia ser uma emoção. Foi assim que aconteceu o Ulisses.
E.M.C. – Há uma identificação muito grande. Ela nunca cresceu, nunca pertenceu ao mundo dos adultos, e por isso havia uma comunicação muito grande.

O Ulisses é um dos seus best-sellers. Conte então como aconteceu?
M.A.M. – Na Pedro Santarém, uma das últimas escolas onde estive como professora, a certa altura tinha de fazer aulas de substituição de cada vez que uma professora faltava. E então, como não eram meus alunos e não os conhecia, comecei a contar o Ulisses e isto durou o ano inteiro. Às tantas todos queriam ouvir a história e acabei numa sala polivalente enorme a contar o fim. Escrevi-o em cinco dias e foi escrito tal e qual como foi contado. Tem uma grande oralidade, mas resulta muito bem porque as crianças quando o lêem é como se estivessem a ouvir a história. Mas tudo começou de uma tentativa de captar a atenção dos miúdos e fazê-los interessarem-se pelo que estava a contar.

Não há maus nas suas histórias. Porquê?
M.A.M. – Não sei, nem me lembrava dos maus, sempre escrevi o que me vinha à cabeça e por alguma razão os maus não estavam lá.
E.M.C. – A minha mãe gosta do mistério, das coisas assombrosas, do bichinho que vai e vem, o que vai fazer, o que vai conversar com a minhoca quando a encontra pelo caminho. É uma imaginação fabulosa, que de tudo faz uma história.

No seu livro O Poeta Faz-Se aos Dez Anos, achei geniais os exercícios que fazia com eles para lhes desatar a imaginação. É muito difícil? Como é que se desata?
M.A.M. – Começava-se. Eles diziam que não sabiam o que escrever e eu respondia: «Olha ali uma mosca, o que é que ela estará a pensar?» «Então, posso escrever sobre a mosca?», perguntavam. «Claro que podes!», respondia eu. Podiam tudo e era nessa liberdade que se desenvolvia a imaginação. Eu queria era que eles escrevessem, que gostassem de escrever.
E.M.C. – Havia uma empatia muito grande e depois como ela é muito mandona e muito determinada e muito obcecada, aquilo era para ela uma missão e quanto piores eram as turmas e mais difíceis e mais rufias eram os miúdos, maior era o desafio de os pôr a escrever poesia.
M.A.M. – Ai, mas eu adorava e tive alunos espectaculares. Viviam em bairros problemáticos, mas eram tão queridos. Apanhei-os com 12 ou 13 anos, que são as idades mais difíceis, mas era professora de Português e isso dava-me mais liberdade para trabalhar do que se fosse de Ciências ou de Matemática. Contava-lhes histórias para eles não andarem à bulha.

Porque é que a certa altura deixou a poesia para adultos para trás e começou a escrever para crianças?
M.A.M. – Nunca deixei a poesia para trás, poesia escrevi sempre. Não ficou para trás, ficou ao lado.
E.M.C. – E vai ser lançada agora, toda a poesia de adultos.
M.A.M. – Mas essa poesia fazia-a para mim e não era muito alegre, era diferente do que o que eu escrevia para eles, que tinha de me fazer rir. A literatura infantil tem que ver com o meu lado mais alegre. Comecei a escrever mais para eles porque me divertia imenso. Por exemplo, para este Camões, o Super-Herói da Língua Portuguesa, não inventei nada, é tudo verdade, mas diverti-me muito a escrevê-lo e a descobrir as coisas todas que descobri para o escrever. Está a ver esta aqui [aponta para uma das ilustrações do livro, de Fernanda Fragateiro e José Fragateiro]? Esta sou eu e digo assim: «A vida é muito fácil, é composta por princípio meio e fim, o princípio é nascer, o meio é a continuação e o fim é a morte. Eu agora estou na continuação.» É uma redacção que fiz aos 9 anos e que pus aqui para dizer que Camões ficou sempre na continuação, porque a sua poesia livrou-o da morte.

E ainda acha, quase a fazer 80 anos, que a vida é muito fácil?
M.A.M. – Acho.

Continua na continuação. Não tem medo do fim?
M.A.M. –
Medo de pensar, tenho, mas afasto logo o pensamento. Toda a gente morre. Às vezes, tenho é curiosidade, mas não avanço muito no sentido de a satisfazer.
E.M.C. – Há uma coisa que lhe perguntou que eu quero responder. Porquê o entusiasmo com a poesia infantil e a retracção com a poesia para adultos? A minha mãe tem um lado de timidez e incapacidade social enorme. Não frequenta os meios, gosta de ficar no seu cantinho, no seu Alentejo, na sua casinha, com os seus livros, com as suas coisas, com os bichinhos, com a família, e detesta cerimónias. É avessa a qualquer coisa mundana e isso aproximou-a muito mais das crianças porque com as crianças não há cerimónias. A infância dela foi tão boa que resolveu prolongá-la em função dessa timidez brutal e dessa incapacidade que tem de lidar com coisas reais. O lado infantil e da imaginação foi sempre muito mais forte e manteve-se até hoje de uma forma absolutamente extraordinária.
M.A.M. – Tive uma infância muito feliz e nunca acabou, sabe? Eu lembro-me de nascer. Palavra de honra! Fui a primeira filha, nasci em casa e quando nasci pegaram em mim e puseram-me num sofazinho dourado. Acho que me mexi tanto ? Agora lembro-me, fiz tanta bulha ali acabada de nascer, que a minha mãe disse: «Ai, a menina.» E eu já ia a cair quando o meu pai deu um pulo e apanhou-me assim no ar. É verdade, ainda me lembro da sensação de cair e de ser apanhada pelo meu pai. Não acreditam, mas é verdade.
E.M.C. – Imagina o que é viver com isto desde que nasci? Sabe qual é a grande vantagem? É que estamos sempre a rir!

publicado por Maria Alberta Menéres às 12:33
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