29 de Maio de 2010

Escritora Maria Alberta Menéres esteve entre nós, Pena Jovem Março 2000

 

“Eu tive um aluno que dizia que tinha um lápis mágico, que o lápis dele escrevia coisas que nem ele sabia que sabia. Eu acho um espanto e, realmente, isto é o princípio da escrita.” - referiu a escritora Maria Alberta Menéres em entrevista ao PENA JOVEM

 

Dentro das actividades da disciplina de Língua Portuguesa, os alunos do 5º, 6º e 7º anos tiveram o privilégio de ver e dialogar com a escritora Maria Alberta Menéres, no meio de uns amigos nossos que dão pelo nome de livros (Biblioteca), no dia 23 de Março.

 

A escritora revelou-se sempre muito simpática e disponível para satisfazer a curiosidade dos alunos.

 

No final da jornada, ainda teve estofo para falar, falar ao nosso jornal.

 

P.J. - Desde sempre quis ser escritora?

 

Escritora - Desde sempre, praticamente desde os nove anos que foi quando comecei a ir à escola. Aos 9 anos, apaixonei-me por um dicionário, achei que era um máximo e que, se soubesse aquelas palavras todas e o que queriam dizer, podia ser escritora.

 

Claro que era uma ideia de miúda, não é? Claro que não é bem assim e que não é preciso saber tantas palavras como estão no dicionário.

 

Mas para mim foi um encantamento saber que eu podia escrever o que eu quisesse e que as palavras da Língua Portuguesa eram muito bonitas.

 

P.J. - Como caracteriza o seu modo de escrever?

 

Escritora - O meu modo de escrever é assim: eu procuro sempre pôr a maior qualidade possível no que escrevo, procuro jogar das maneiras mais banais, mais vulgares de dizer as coisas e então invento-as. Por isso, por exemplo, se eu falo do ouriço-cacheiro, penso como é que o ouriço-cacheiro falará. Isto em relação à minha escrita para crianças, mas eu não escrevo só para crianças.

 

Quando escrevo para mim, normalmente poesia ou ensaio (romances nunca escrevi, mas também tenho essa ideia, mas, enfim, claro está que é outra maneira de escrever), procuro escrever sempre com sentimento, mas principalmente com inteligência. Primeiro a inteligência e depois o sentimento, porque senão saem coisas muito banais e muito pirosas. Mas, se a gente escrever com inteligência e sentimento, as coisas podem revelar uma outra maneira de ver o mundo, que é isso que eu quero sempre: ver o outro lado das coisas que não vemos todos os dias.

 

P.J. - Porque se dedicou à escrita de livros para crianças?

 

Escritora - Porque descobri que era difícil, engraçado e que ao fim ao cabo eu acabava por entender a minha própria infância. Não pensando na minha, mas pensando na infância dos outros e comparando um pouco com a minha, sem comparar; isto é um bocado esquisito, porque há coisas que são comuns a todas as infâncias. Por exemplo, a descoberta dos animais do campo, dos animais selvagens, a conversa que a gente faz com o dia, com a noite, com as coisas que vai descobrindo e vendo todos os dias, mesmo as mais estranhas e as mais pequeninas.

 

O que é falar com uma coruja de noite, uma coruja que não nos vê? A gente pode falar com elas; por exemplo, a última vez que eu falei com uma coruja, no fim acabei assim: olha, agora já são horas de ir dormir, viras o rabinho para cá, abres as asas e vais embora. E a coruja virou o rabinho para mim, abriu as asas e foi-se embora. Há uma conversa que a gente não entende, mas a gente atira e às vezes pega.

 

P.J. - Para além de escritora infantil, é também poetisa. Quando escreve poesia, normalmente em que se inspira?

 

Escritora - Na poesia, inspiro-me em mim própria. Quando eu escrevo, eu não sei o que vou escrever, mas a minha mão escreve e de repente eu digo: ah! Isto estava certo, era isto mesmo que eu queria dizer, mas não conseguia dizer! Isto só se pode saber quando se começa a escrever.

 

Eu tinha um aluno que dizia que tinha um lápis mágico, que o lápis dele escrevia coisas que nem ele sabia que sabia. Eu acho um espanto e, realmente, isto é o princípio da escrita. A gente começa e, de repente, nem sabia que sabia.

 

Agora, quem não começa não tem esta maravilha de saber o que é.

 

P.J. - Tem trabalhado com Natércia Rocha e Carlos Correia na colecção juvenil “Mistério”. Prefere escrever sozinha ou colectivamente?

 

Escritora - Eu gosto muito mais de escrever sozinha. Mas, foi um desafio muito engraçado que me lançaram e que eu até nem acompanhei muito, porque eles têm muito mais jeito. O Carlos tem mais jeito para romancear, para fazer romances; a Natércia tem mais jeito para ver onde está a pista certa e a pista falsa e eu tenho mais jeito assim para as loucuras, as loucuras da escrita, de vez em quando lá vai uma… Mas eu não tenho grande jeito para escrever com outras pessoas.

 

A pessoa com quem eu gosto mais de escrever e que tem mais a ver comigo é o António Torrado, porque temos vários livros em conjunto e é sempre o "mata, esfola".

 

Um diz “mata” e o outro diz “esfola” e é muito engraçado e tão divertido que vocês não fazem ideia.

 

Esta dos livros "Mistério" é mais complicado, dá mais trabalho, mas eu gosto de fazer, porque gosto deles como amigos, de resto não seria nunca sozinha que eu escreveria, nunca me atreveria a fazer "Mistério".

 

P.J. - De todos os seus livros, qual foi o que a marcou mais?

 

Escritora - Tenho vários. A minha escrita para adultos marca-me sempre muito, mas isso é outra história.

 

Em relação aos mais novos, "O POETA FAZ-SE AOS DEZ ANOS" foi um livro que eu escrevi com os meus alunos, foi uma coisa muito engraçada na minha experiência como professora. Gosto muito de "HISTÓRIAS DO TEMPO VAI, TEMPO VEM", que está esgotado, mas vai agora sair na ASA; gosto de "O CORAÇÃO DO TREVO”, gosto muito de um que é "UMA PALMADA NA TESTA”.

 

P.J. - Para além de escritora, é professora, tradutora e colabora em jornais e revistas literárias. Como consegue conciliar todas estas actividades?

 

Escritora - É a pouco e pouco. É cada coisa no seu dia. Em primeiro, fui professora, agora já não sou. Agora sou mais escritora. Tradutora já foi o tempo, agora já não tenho paciência para fazer traduções; só se me aparecer assim uma muito interessante, ainda farei, mas já não me apetece.

 

Apetece-me mais aproveitar o tempo em coisas que eu sinta mais. Neste momento tenho oito livros, mais ou menos pensados e agora tenho que me dedicar a eles. E eu nem sei por qual deles vou começar, aquele que me apetecer mais no momento. Mas, prefiro fazer livros meus.

 

P.J. - Para si, qual é o seu escritor preferido?

 

Escritora - Tenho muitos. Vou dizer um de antigamente: o Camões, adoro o Luís de Camões, mas o Camões não é “Os Lusíadas”, eu gosto é dos sonetos, da lírica de Camões.

 

Depois, um bocadinho mais para cá, gosto do Aquilino Ribeiro, acho-o o máximo, principalmente os livros dele para crianças e não só, os outros também. E agora, ultimamente, ando muito apaixonada pela escrita de Mia Couto. Ainda é novo, penso que ainda não tem 40 anos, e é fantástico; a escrita dele é do mais mágico e do mais interessante que há; é um escritor muito jovem e é moçambicano, escreve um Português impecável, é uma coisa maravilhosa. Vocês leiam, que vão ficar fascinados. E, mete-me raiva, porque ele escreve coisas que gostava de ter sido eu a escrever. Isto é logo um sinal: Ena! Como é que ele se lembrou de escrever isto e eu não?

 

P.J. - O que é que achou da nossa escola e dos nossos alunos?

 

Escritora - Adorei vir cá, gostei imenso. Com o 7' ano que estive foi óptimo, estavam extremamente atentos e interessados e muito curiosos em saber as coisas, muito sensíveis. Adorei. Dos primeiros também gostei muito, mas os segundos, os do 6' ano, como eram muitos, não conseguimos ter uma comunicação melhor, porque eles estavam muito distraídos, muito reguilas e estavam sempre a conversar uns com os outros; eram de mais, sabes como é? Estavam a querer fazer despique uns com os outros e eu sei como é isso, porque eu também era igual, de maneira que eu percebo as coisas. E assim sendo, não resultou tão bem.

 

Agora, com os primeiros, gostei imenso e até me deram imensas ideias.

 

P.J. - Qual a mensagem que quer deixar aos nossos alunos?

 

Escritora - Que leiam o mais possível e leiam coisas diferentes. Vejam o que cada um gosta mais de ler e leiam isso, escolham livros próprios para a vossa idade; depois, atrevam-se também a escrever, porque, quando a gente escreve, é como dizia aquele meu aluno: "O meu lápis é mágico, ele escreve coisas que eu nem sabia que sabia." E, se começarem a escrever, vocês perceberão porque é que ele diz isto. Ele tinha toda a razão, isto é o princípio da escrita. Quem começa a escrever é que descobre o que vai descobrindo, que às vezes nem sabe o que tem para dizer. Só começando a escrever, é que se consegue.

 

De maneira que gostem muito de ler, de escrever e que sejam muito felizes.

publicado por Maria Alberta Menéres às 04:05
23 de Maio de 2010

Prometi, é verdade. Prometi escrever aqui para o Jonal de Letras a minha Autobiografia. Foi um convite que muito me sensibilizou e mesmo entusiasmou. Mas logo a seguir me afligiu. E depois me apavorou. Telefonei então - tarde e a más horas, reconheço, só para dizer que não ia corresponder a tal convite, porque de repente reparei que havia peripécias da minha vida, tão incríveis que ninguém ia acreditar que fossem reais! Não consegui provar que esta fosse uma grande razão para desistir, e por isso aqui estou, incautamente contando algumas verdades da minha vida.

 

- Nasci no dia 25 de Agosto de' 1930, em Vila Nova de Gaia. Naquele tempo, era muito habitual nascer em casa, com assistência de um médico de família. Lembro-me perfeitamente de nascer. Lembro-me de ter sido o meu pai quem me recebeu nós seus braços e me levou para um sofá amarelo que estava ali no quarto deles. Primeiro, fiquei sossegada, mas de repente comecei a espernear e ouvi claramente a minha mãe dar um grande grito: «Ai, a menina!». O meu pai correu e conseguiu apanhar-me já no ar, entre o sofá e o chão. - Durante largos anos, aquela sensação de cair, desse dia, fez com que, volta não volta, eu passasse a acordar de noite e sempre à mesma hora do meu nascimento, arrepiada pelo meu próprio grito. Um dia, esse grito acabou, sem qualquer razão. Mas não acabou na minha memória, todo o tempo que vivo (a cores, e com o entendimento de uma especial situação). Sempre pensei que este fosse um caso único no mundo, mas um dia li numa revista médica cujo nome não guardei, que há mais casos destes no mundo, embora sejam muitíssimo raros. Entretanto, nasceram as minhas duas irmãs mais novas, mais «normais» ...

 

- Quando eu tinha seis anos, morreu o meu avô Materno, Artur Rovisco, que era médico e veterinário, e que andava a cavalo, pelos campos, a curar pessoas e animais. Primo (como irmão) de Rovisco Pais, era um avô encantador, casado com a minha avó Adelina. Por morte desse meu avô, que deixou duas herdades ribatejanas à minha mãe, saímos definitivamente de Vila Nova de Gaia e fomos viver lá para o campo, onde fiz a primeira e ingénua aprendizagem do que é viver longe de qualquer civilização, à distância de dez quilómetros da 'aldeia que ficava mais perto! Foi um tempo maravilhoso e inesquecível, em que aprendi a trepar às árvores num instantinho, a visitar as tocas das raposas e a ser amiga dos seus filhotes; a ajudar as galinhas a fugir dos milhafres, e os patos a não serem tão patarecos ... ; e a andar a cavalo sem sela, só agarrada às suas crinas; e a perder-me de propósito ... o que passou a ser a grande aflição dos meus pais e de todos os trabalhadores de lá… Mas eu adorava perder-me por aquelas solidões todas, até que um dia, sob uma violenta trovoada, e já sem perceber o caminho para casa, encontrei um velho camponês que me disse: - «A menina deixe o cavalo ir para onde ele quiser, que ele é que sabe o caminho para a cocheira dele! Largue-lhe as rédeas!» E assim foi. Quando cheguei a casa, estava tudo em pânico por não me encontrarem em lado nenhum, e por saberem que os cavalos não gostam lá muito de trovoadas! Aprendi a ir buscar água à Fonte dos Marmeleiros, em cântaros enfiados nas cangalhas que iam em cima dos burros; a fugir dos enxames de abelhas; a não ter medo dos relâmpagos e dos trovões - enfim, a saber fazer parte da natureza em toda a sua força e esplendor. E lia, lia muito. Lia tudo o que apanhava à mão. E comecei a escrever - à minha moda.

 

Esta primeira aprendizagem de um tempo de liberdade e de descoberta, foi o grande primeiro impulso da minha vontade de ser escritora. Entretanto, o meu avô paterno enviava-me, de Vila Nova de Gaia, livros fantásticos como por exemplo, todos os Clássicos da Sá da Costa, entre os quais a Ilíada e a Odisseia! E também me enviava livros do Brasil, onde tinham casado a sua mãe e o seu pai e meu bisavô Clemente Menéres, antes de este ter comprado as terras transmontanas do Romeu. Desses livros todos, destaco alguns de Monteiro Lobato e a célebre colecção de uma revista mensal para jovens, chamada O Tico Tico, de que ainda hoje conservo todos os números, religiosamente! Mas ali, no meio do campo ribatejano, não havia ninguém que nos desse uma normal instrução, e então os meus pais levaram-nos, primeiro a mim e, nos anos seguintes, as minhas irmãs, para um Colégio interno, em Lisboa - primeiro, um de Franciscanas Missionárias, e depois para outro que era das Irmãs Doroteias no qual, como ninguém me vencia nos saltos em altura, inventei que voava e, para não me esquecer, «programei» o espectáculo dos meus voos para as quintas-feiras, às cinco horas da tarde! Foi um horror, porque todas as quintas-feiras, às cinco horas da tarde, eu tinha de me esconder, para, logo que passassem uns minutos, aparecer e fingir que estava muito desolada por já ter passado o tempo dos meus voos! E isto durou uns dois anos ...

 

Só que um dia de festa grande lá no Colégio, aconteceu que era uma quinta-feira e era quase cinco horas, estando o Colégio todo reunido num grande Salão. Não me consegui escapar!!! Toda a gente gritava para eu voar, e então, muito afoita, trepei para o alto de um enorme quadro de mogno que ali estava e, em frente de todo o Colégio, lancei-me no espaço, a voar! A minha ideia era que, com o impulso que dei, firmando o pé na parede que tinha atrás de mim, e fazendo-me muito levezinha, conseguisse chegar ao fundo do Salão ... mas o pior é que, mal me lancei no ar, fez-se ouvir a estridente campainha das cinco horas do Colégio, e eu só tive tempo de gritar «diabo de campainha!!!» e, levemente aterrei no chão de mármore encerado. Senti logo que tinha partido um pé, mas não dei parte de fraca ... Houve um grito geral: «Ela já estava a voar! Ela estava a voar!!! Se não fosse a campainha, tinha dado a volta à sala! !!» Eu sorria, e não disse nada que tinha magoado um pé, que afinal estava mesmo partido. Estive quase um mês na enfermaria do Colégio, onde recebi muitas visitas sempre e me fartei de dar autógrafos ... E difícil de acreditar, mas ainda hoje, lá de vez em quando, encontro pessoas que não conheço e ouviram falar das minhas aventuras, e me perguntam: «Você é a Alberta que voa?!» É claro que digo logo que sim, e tudo acaba numa grande e cúmplice risota!!!

 

Foi desta e de muitas outras aventuras assim loucas que se fez a minha infância. E motivos para escrever para os mais novos, principalmente, nunca mais acabam. Até porque eu acredito, ao fim e ao cabo, que «todas as coisas têm uma história para contar». Agora, assim de repente, é que reparo que me esqueci de dizer como foi que comecei a entender mais claramente que gostava de ser escritora! Tinha começado o tempo das férias de Verão e eu estava quase a fazer 10 anos. Nunca ninguém deve ter entrado na praia de Vila do Conde, como eu entrei: de Dicionário debaixo do braço, toda contente! Era uma paixão bem recente: Que maravilha existir um livro que explicasse o que queriam dizer todas as palavras do mundo!» (pensava eu). Assim, já poderia ser escritora! E logo que eu e a família nos instalámos na barraca de praia onde íamos passar a manhã, eu sentei-me lá na frente, junto ao mar, e «sentei» também o Dicionário ao meu lado, em cima da toalha de praia. Pedi à minha mãe que me desse um caderninho que ela trazia muitas vezes com ela, e um lápis. Pronto! Já podia ser escritora. E, a escolher e a escrever uma palavra aqui e outra além, com os sentidos que de repente me apareciam mesmo mágicos, escrevi a primeira quadra da minha vida, que era assim: “Num sibilar longínquo o mar rugia a chorar: é que um segredo iníquo o fazia meditar!" E fiquei fascinada: que bonita! Não sabia nada o que queriam dizer, estas palavras, mas era muito bonito o que tinha escrito! ... (pensava eu) Agora, reparando bem: um sibilar é sempre baixinho, secreto, nunca pode ser longínquo ... E o mar, como seria rugir a chorar, se até estava tão mansinho naquele dia?! E o que seria um segredo iníquo, que eu nem sabia bem o que queria dizer, mas certamente não era coisa que permitisse muitas meditações ... Eu queria lá saber destas impossibilidades! Só pensava que era tão bom poder escrever assim coisas tão misteriosas e tão belas! (E não me calava, com esta descoberta.) Nunca mais parei de escrever. Já sem a necessidade de consultar o Dicionário - mas sempre admirada pela nossa capacidade humana de admirar e de sentir. De momento, continuo a andar de Escola em Escola, e de Câmara Municipal em Câmara Municipal, conversando com os professores e os alunos e levando a todos a minha ideia de que é bom viver num mundo que está cheio de histórias contadas e por contar, e que as podemos descobrir ao longo de toda a nossa vida - sempre diferentes, conforme os olhos que as vêem e o coração que as sente. Não há receitas para estas descobertas, mas apenas estratégias sensíveis que, se nós as quisermos descobrir, veremos como poderão dar mais sentido e beleza à nossa vida de todos os dias.

 

Maria Alberta Menéres, Jornal de Letras 2006

publicado por Maria Alberta Menéres às 04:49
21 de Maio de 2010

APRESENTAÇÃO DO LIVRO - texto lido no lançamento em Lisboa dia 18 de Maio !!

 

 

"CAMÕES, O SUPER HERÓI DA LÍNGUA PORTUGUESA"

 

DE

 

MARIA ALBERTA MENÉRES

 

 

 

DESDE CRIANÇA QUE EU OUÇO A MINHA MÃE DIZER, SEMPRE COM UM SORRISO MEIO IRÓNICO, QUE  “O MELHOR IMPROVISO  É O MAIS BEM ENSAIADO”.

 

SEMPRE RESISTI A ISTO HEROICAMENTE DURANTE ANOS, ATÉ PERCEBER QUE ELA TEM TODA A RAZÃO !!  FALAR DE IMPROVISO TEM OS SEUS ENCANTOS DE ESPONTANEIDADE, PORÉM PODEM FICAR MUITAS COISAS POR DIZER, A EMOÇÃO PODE TRAIR A MEMORIA DO QUE SE QUER DEIXAR DITO EXACTAMENTE........  OU ENTÃO.......E EM FAVOR DO IMPROVISO MAL ESTUDADO, A EXACTIDÃO PODE TAMBÉM TRANSFORMAR-SE NUMA GRANDE CONVERSA MONOCÓRDICA ............

 

QUANDO SE TRATA DE FALAR SOBRE A MINHA MÃE, MARIA ALBERTA MENERES, NENHUM DESTES RISCOS PODE ACONTECER.

 

MISTERIOSAMENTE TUDO APARECE PRONTO, DESENHADO MENTALMENTE E PERFEITAMENTE ESCRITO, POETICAMENTE INCONFUNDÍVEL, COMO SE  TRATASSE DE UMA VIAGEM INTERNA ABSOLUTAMENTE SOLITÁRIA, QUE O É, A ESCRITA, MAS NO SEU CASO SEMPRE ACOMPANHADA DE UMA IMAGINAÇÃO E DE UMA VIVENCIA DIÁRIA DESSA IMAGINAÇÃO, NO CASO DELA, APENAS ÚNICA.

 

ESTE LIVRO NASCEU DA SUA EXPERIENCIA PESSOAL COM CAMÕES, COM A SUA POESIA, COM O FASCÍNIO QUE A POESIA DE CAMÕES TEVE E TEM NA SUA VIDA PESSOAL E LITERÁRIA.

 

DURANTE ANOS PERCORREU ESCOLAS, CAMINHOS, KM E KM DE ESTRADA, DE NOITES E DIAS FORA DE CASA, AO VOLANTE DE UM VOLANTE QUASE SEMPRE SOLITÁRIO, NUMA AVENTURA URGENTE DE CONTAR AS SUAS AVENTURAS AOS SEUS ALUNOS E LEITORES, SEMPRE COM O MESMO FASCÍNIO DO MOMENTO DAS PRÓPRIAS AVENTURAS VIVIDAS NA SUA REALIDADE SEMPRE TÃO PESSOAL !!

 

E SÃO SEMPRE  AVENTURAS MEDONHAS, TERRÍVEIS, FANTÁSTICAS, PERIGOSAS, E AO MESMO TEMPO INGÉNUAS, IMAGINÁRIAS, POÉTICAS, ONDE A REALIDADE SEMPRE SE MISTURA DE UMA MANEIRA TOTALMENTE ÚNICA COM A SUA TAL REALIDADE.

 

PARA A MINHA MÃE, A REALIDADE É A IMAGINAÇÃO, O SEU  MUNDO É TOTALMENTE CRIADO À PARTE E EM OUTRA DIMENSÃO.

 

PARA SE VIVER COM ELA ESSA É A REGRA NÚMERO UM PARA UMA VIDA EM HARMONIA.

 

O MUNDO INTERIOR DE MARIA ALBERTA MENÉRES SEMPRE FOI ÚNICO, E EU, COMO FILHA,  SEMPRE FUI FASCINADA COM ESSA SUA CAPACIDADE DE ENFRENTAR O MUNDO, SEMPRE PELO LADO MARAVILHOSO  DA POESIA, DA SEDUÇÃO DAS PALAVRAS E DOS SILÊNCIOS, ENTRE OS SONS E  OS INTERVALOS.

 

CLARO QUE LÁ EM CASA ELA NUNCA ENTROU NA COZINHA, E AS POUCAS VEZES QUE O FEZ FOI UM DESASTRE. NÃO NASCEU COM ESSE DOM DOMESTICO DA BOA DONA DE CASA, FAMA ESSA QUE SEMPRE FEZ QUESTÃO DE ALIMENTAR E DE MANTER BEM ACESA........  POR OUTRO LADO, A SUA TIMIDEZ NUNCA A DEIXOU MOSTRAR AO MUNDO A SUA VOZ SENSACIONAL DE FADISTA, QUEM OUVIU SABE QUE EU NÃO ESTOU A EXAGERAR, ERA ABSOLUTAMENTE GENIAL, MAS SÓ CANTAVA ATRÁS DE UM BIOMBO, ESCONDIDA......... VESTIDA A RIGOR, XAILES DE SEDA ANTIGOS, MAS SAIR DE TRÁS DO BIOMBO, NEM PENSAR......

 

A ESCRITA SEMPRE FOI O SEU ELO COM O MUNDO, E ESTA “SAGA” DE ESCREVER UM LIVRO SOBRE A VIDA DE CAMÕES COMEÇOU JÁ HÁ ALGUNS BONS ANOS ATRÁS.

 

SE  ULISSES, SEU HERÓI CONTADO E ESCRITO, NÃO SENDO UM HERÓI NACIONAL,  ERA DE TAL FORMA ENTENDIDO E ADORADO PELOS NOSSOS JOVENS, PORQUE NÃO CONTAR A VIDA DE CAMÕES, UM HERÓI  NACIONAL MAIS PORTUGUÊS IMPOSSÍVEL !!

 

ESTAVA NA HORA DE CONTAR A HISTÓRIA DESTE HOMEM FANTÁSTICO, IGUALMENTE GUERREIRO, IGUALMENTE AVENTUREIRO, POETA MAIOR, “PRÍNCIPE DOS POETAS”,  COMO LHE CHAMARAM, PORTUGUÊS, REAL , COM UMA VIDA PESSOAL INTENSA, RICA EM PERIPÉCIAS, E UM PRATO CHEIO PARA CONQUISTAR A IMAGINAÇÃO ATRAVÉS DA SUA POESIA, E TRANSPORTAR TODA ESSA INFORMAÇÃO ATRAVÉS DE UMA LINGUAGEM DO MUNDO DE HOJE, TÃO POVOADA DE SUPER HERÓIS !!

 

A OBRA MÁXIMA DE CAMÕES,  OS LUSÍADAS, AO SER ESTUDADA PELOS MESMOS JOVENS, TERÁ COM CERTEZA OUTRO ENCANTO E ENTENDIMENTO, DEPOIS DE SEDUZIDOS PELA PESSOA DE CAMÕES, QUEM ELE ERA, O QUE FAZIA, COMO FOI A SUA VIDA ATRIBULADA, OS SEUS AMORES, AS SUAS VIAGENS, OS SEUS INFORTÚNIOS, A SUA CORAGEM, OS SEUS FEITOS, O SEU SENTIDO DE HUMOR E DE AMOR......

 

MARIA ALBERTA MENÉRES PESQUISOU MESES E MESES TODAS AS BIOGRAFIAS POSSÍVEIS SOBRE CAMÕES, ESTUDOU , RELEU E RELEU A SUA POESIA, ( A PONTO DE DESCOBRIR ATÉ DUAS LEITURAS POSSÍVEIS PARA UM MESMO POEMA) FACTO INÉDITO ATÉ ENTÃO DESCOBERTO, OU SEJA,  ENTROU NO SEU MUNDO MAIS INTIMO, TENTOU PENSAR COM A CABEÇA DE CAMÕES ATRAVÉS DA SUA OBRA.

 

E NUMA BELA NOITE  ESCREVEU ESTE LIVRO, PRINCIPIO, MEIO E FIM !!

 

COMO É SEU HÁBITO, CONCLUIU, DESCANSOU, ENFIOU NUMA DAS MUITAS GAVETAS MÁGICAS LÁ DE CASA, E A VIDA CONTINUOU TRANQUILA, E COMO TINHA A SENSAÇÃO DA OBRA CONCLUÍDA, O LIVRO ALI FICOU PELO MENOS UNS 4 ANOS.

 

EU CONFESSO QUE DE VEZ EM QUANDO EU PERGUNTAVA, MÃE , E O CAMÕES ?????? ELA RIA E DIZIA, SIM SIM TENHO DE O ESCREVER, TAL E COISA,  ESTÁ TODO NA MINHA CABEÇA.   E LÁ CONTINUAVA A SUA VIDA, NUMA ALEGRE CORRERIA CONSTANTE.

 

É PRECISO CONTAR AQUI QUE A MINHA MÃE ESCREVE DE NOITE, QUANDO TODOS DORMEM ELA ACORDA, O SILENCIO, A SOLIDÃO, E A NOITE, SEMPRE A NOITE. É O SEU MOMENTO ESPECIAL. ESTE NÃO É O SEU PRIMEIRO LIVRO ESCRITO E GUARDADO AO AMANHECER NUMA TAL GAVETA SECRETA !!

 

TENHO A  CERTEZA QUE ESTE NÃO É O ÚLTIMO LIVRO PERDIDO OU GUARDADO, DE VEZ EM QUANDO VOU VASCULHAR AS GAVETAS TODAS, MAS O MAIS INCRÍVEL É QUE ELA INVENTA GAVETAS NOVAS TODOS OS DIAS.........  ESCONDERIJOS.......

 

UM DIA , HÁ CERCA DE UM ANO, ESTÁVAMOS NESSAS MISSÕES ETERNAS DE ENCONTRAR UNS PAPEIS URGENTES, EIS QUE SURGE, ESCRITO NA SUA IMBATÍVEL E INSUBSTITUÍVEL MAQUINA DE ESCREVER,  O “CAMÕES, O SUPER –HERÓI DA LÍNGUA PORTUGUESA !!!

 

DEPOIS FOI TODO O TRABALHO CUJO RESULTADO SE VÊ AQUI, A ESCOLHA DOS ILUSTRADORES, FERNANDA FRAGATEIRO E JOSÉ FRAGATEIRO, CUJOS TRAÇOS E DESENHOS CORRESPONDEM EXACTAMENTE AO SONHADO PELA MINHA MÃE PARA ESTE LIVRO, PARA ALEM DA IMENSA ADMIRAÇÃO  E AMIZADE  QUE TÊM ENTRE SI.

 

FOI UM TRABALHO DE PÓS PRODUÇÃO FEITO SEM PRESSAS, CONTAMOS COM TODO O APOIO  INCONDICIONAL DO VÍTOR SILVA MOTA, E DE TODA A EQUIPA DA EDITORA ASA, E AGORA O NOSSO SUPER HERÓI DA LÍNGUA PORTUGUESA ESTÁ À SOLTA NO MUNDO, TAL QUAL CAMÕES VIVEU, E SEMPRE CONTINUARÁ A REVIVER, PELO MUNDO FORA, TAL QUAL MARIA ALBERTA MENÉRES NOS DIZ, NO FINAL DO LIVRO:

 

“ENQUANTO HOUVER NO MUNDO QUEM LEIA, ENTENDA E SINTA A SUA POESIA........... “

 

 

EUGÉNIA MELO E CASTRO

 

18 DE MAIO DE 2010

publicado por Maria Alberta Menéres às 21:16

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Maria Alberta Menéres às 20:35
19 de Maio de 2010

Lançamento oficial do Livro, no Tee Room do LA Caffé, em Lisboa, ontem dia 18 de Maio !!!

 

Esta aqui sou eu com a Fernanda Fragateiro e o José Fragateiro, que são os meus sensacionais ilustradores,  mágicos, precisos e brilhantemente imaginativos !!! Muito obrigada do fundo do coração pelo trabalho deslumbrante que fizeram no "nosso" Livro "Camões, o Super-Herói da Língua Portuguesa" !!!!

publicado por Maria Alberta Menéres às 23:01
17 de Maio de 2010

Livro: “Camões o Super Herói da Língua Portuguesa”
De: Maria Alberta Menéres
Editora Asa

 

E quem é que não gosta do poeta Luis de Camões?

Hoje o livro que temos para lhe dar é sobre o poeta que enalteceu Portugal… é um livro de Maria Alberta Menéres e chama-se “Camões o super Herói da Língua Portuguesa” e é uma edição ASA.

Este é um livro ilustrado, perfeito para mostrar aos seus netos que Luís de Camões era um herói da língua portuguesa!

Falava e escrevia como ninguém… para isso basta ler Os Lusíadas… e aventuras não lhe faltaram! Não se conhece muito sobre a vida deste poeta, mas que era um super herói era e Maria Alberta Menéres explica-lhe porquê…

publicado por Maria Alberta Menéres às 03:51

Olá a todos!

Já pensavam que tínhamos desistido das nossas sugestões de leitura?!

Claro que não. Questões de ordem técnica impediram-nos de publicar a sugestão da semana passada. Aqui fica uma proposta original:

Esta semana propomos um livro acabado de sair nas livrarias: “Camões, o Super-Herói da Língua Portuguesa”, da autoria da escritora Maria Alberta Menéres.

Uma biografia num tom divertido, onde sobressai o carácter aventureiro e irreverente de um dos maiores poetas portugueses que, se vivesse no nosso tempo, bem poderia ser considerado um super-herói.

O livro inclui ainda excertos da lírica camoniana e é ilustrado pelos artistas plásticos Fernanda e José Fragateiro. Sem dúvida uma forma original de conhecermos a vida do nosso príncipe dos poetas. Não percam, está à vossa espera na nossa BECRE!.

Boas leituras!

publicado por Maria Alberta Menéres às 03:42

 

 

Dia  18 DE MAIO, às 18:30 , no LA CAFFÉ - TEE ROOM, AV DA LIBERDADE 177 A  LISBOA

publicado por Maria Alberta Menéres às 00:37
15 de Maio de 2010

 

Foi um sucesso esta feira do Livro, e um grande divertimento !! Aqui estou eu com o meu querido amigo e parceiro de tantos anos de aventuras literárias Antonio Torrado, e do querido  Vitor Silva Mota, meu amigo editor da ASA !!!

 

.......e AQUI pode ver o ambiente festivo, é um filminho feito lá na Feira do Livro, pela LEYA, onde estamos todos em plena acção !!

publicado por Maria Alberta Menéres às 22:01
08 de Maio de 2010

A Feira do Livro hoje está de chuva...........que pena........vamos ver se amanhã melhora o tempo, esta chuva não estava nos planos !!!

 

Amanhã tenho sessão de autógrafos do meu livro novo, "Camões, o Super-Herói da Língua Portuguesa"......Mas com este "tempo farrusco",  todos teremos de ser Super-Heróis !!!!

 

E lá vamos nós, de caneta em punho, enfrentar o mau tempo !!!! ......fora o ventoooooooooooooo frio, que para mim é o pior de tudo !!

 

Mas tudo desaparece e compensa quando as pessoas aparecem com o livro nas mãos, é uma alegria imensa, é a aventura particular entre quem escreve  e quem lê !!!!!!!

 

Lá estarei , na ASA,  na tenda da Leya, a partir das 15 horas !!!!!!!!!!!!!

publicado por Maria Alberta Menéres às 18:40
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